Desista de ser Criativo… Seja Engenhoso!

Odeio qualquer orientação do estilo “seja criativo”. “Pensar fora da caixa” então é uma ofensa que, se eu fosse ditadora do mundo, seria punível com a morte… Como diria Terry Prachett:

“I’ll be more enthusiastic about encouraging thinking outside the box when there’s evidence of any thinking going on inside it.”

Criatividade é uma palavra pesada, batida e surrada que tem tanto atrelada a ela que, quando você consegue finalmente definir o que é criatividade para você, de uma maneira com a qual você se sinta confortável em se definir como “criativo”, o momento de “ser criativo” já passou. “Ser engenhoso”, por outro lado, não é tão pretensioso. É cotidiano, é manipulável e averiguável. Eu posso ser engenhosa sendo geniosa… Posso ser engenhosa sem pregar post it na parede, sem andar descalça no parque, sem usar um Macbook. Posso ser engenhosa sem ser “descolada” — e posso ser engenhosa especialmente se ainda utilizo a palavra “descolada”.

Mas como ser engenhoso? Simples: crie um processo! Poucas coisas na vida são tão eficientes na geração de resultados como seguir um processo consistente — ou seja, ainda tem essa: enquanto você tem que se educar para acreditar que a criatividade não é um estalo mágico vindo do nada, a engenhosidade não lhe pede nenhuma fé em seus poderes místicos.

01 – Esteja preparado.

Se você tem acima de 30 anos, sabe que o McGuiver conseguiria fugir de uma zona militarizada com um rolo de papel higiênico, um clip de papel e um elástico de dinheiro. Infelizmente — ou não — não somos McGuiver, e a nossa engenhosidade requer um mínimo de preparação. Vai para uma entrevista? Pesquise sobre a empresa. Vai para uma reunião? Prepare seu material. Lembre-se que ser engenhoso não é resultado de uma epifania, é inovar com confiança. E tudo começa com se sentir preparado para isso.

02 – Avalie a situação.

Qual é o pior que pode acontecer? É isso mesmo… Anos acreditando que você precisava “pensar positivo” para ser criativo, jogados pelo ralo! Para ser engenhoso liberte o seu pessimista interior e responda: qual o pior que pode acontecer? Avalie a situação da maneira mais realista possível, mas se não for possível, entre a visão da catástrofe e o “tudo vai dar certo”, fique com a catástrofe — mas não pare por aí, é claro: sabendo qual é o pior que pode acontecer, prepare-se para isso… Mas não deixe isso na cabeça: escreva o seu plano de contingências (ou seu plano B). Pode escrever no papel, em um arquivo de computador, no que você preferir — mas escreva, libere espaço mental e passe para outras coisas.

03 – Avalie o que está disponível para você.

Ao invés de “pensar fora da caixa”, pense dentro da caixa por um momento. Se você é dessas pessoas que ficam se contorcendo dizendo que se ao menos você tivesse acesso a X, a Y ou a Z tudo seria diferente e mais fácil… Pare por aí. Pode até ser que você esteja trabalhando com as ferramentas inadequadas no momento, ou que tenha que ser bem inventivo para resolver o seu problema mas: essa é exatamente a essência da engenhosidade. E para inspirar, que tal um vídeo baseado em uma história real sobre o muito que pode ser feito com aquilo que temos ao alcance das mãos?

Apollo 13

04 – Trabalhe do fim para o começo — Engenharia Reversa Baby!

Pense na situação ideal: sua meta, objetivo ou decisão e escolha o que precisa ser feito para atingi-la a partir disso. Imaginar a situação dessa forma fará com que você inevitavelmente pule alguns passos que de outra forma poderiam atrapalhar os seus planos. Isso é o que acontece, por exemplo, com muitos estudantes em época de vestibular que se preocupam em aprender TUDO o que deveriam saber, e esquecem que cada uma das provas que irão prestar tem mais ou menos sempre o mesmo jeito, e dá preferência aos mesmos assuntos. Um bom exemplo dessa forma de pensamento é o método utilizado pelo autor Tim Ferriss para aprender qualquer coisa, que você pode ver no vídeo a seguir:

05 – Quebre as regras.

“Aprenda as regras como um profissional, para que possa quebrá-las como um artista.”
Pablo Picasso

Para ser engenhoso é preciso quebrar as regras, mas mais importante ainda é saber quais regras você pode quebrar. E aí está a grande diferença entra a abordagem engenhosa e abordagem “dita criativa”. É muito comum ver profissionais de áreas ditas criativas soprando aos quatro ventos que eles não gostam de seguir regras, que as regras os limitam, que certas rotinas e disciplinas acabam com a criatividade e, embora muito possa ser dito a respeito disso — e inclusive muito já foi dito em livros como esse — algumas regras precisam ser seguidas de qualquer jeito para que as coisas deem certo. Então como saber quais regras quebrar? Normalmente são as regras assimiladas e não escritas, que dificilmente questionamos. Não faça suposições, questione tudo e simplesmente descarte o que não fizer sentido.

07 – Experimente.

Nem só de boas intenções vive o engenhoso — é preciso sair da mesa de planejamento e partir para a ação: fazer testes, criar protótipos, experimentar. A maior parte do aprendizado sobre o que dá certo ou não, sobre o que funciona ou não, acontece quando colocamos a mão na massa — como diz o ditado: “a teoria na prática é outra”; e isso não significa que exista algo errado com a teoria, muito pelo contrário. Sem a teoria, simplesmente flutuamos no raso, sem saber lidar com a complexidade da situação real. Mas se você ficar apenas pensando à respeito, irá lhe privar de muitas felicidades, alegrias e surpresas possíveis apenas na prática.

08 – Seja persistente.

Tudo o que eu posso prometer é: as coisas vão dar errado. E diversas vezes. Se você está procurando uma receita fácil para o sucesso, acho que não existe nenhuma — mesmo para as pessoas engenhosas e criativas. Então acho que vale encerrar com um quadrinho que resume bem a minha opinião sobre o assunto.

doodle-alley
Mais em: doodle alley.
http://doodlealley.com/2012/10/10/be-friends-with-failure/

 

 

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