Níveis de Desenvolvimento de Conteúdo para EaD

Você já pensou em aplicar ferramentas de qualidade à produção de Conteúdo para Ensino a Distância (EaD)? Eu já — mas em minha defesa, eu tenho mania de aplicar ferramentas como 5W2H a quase todas as atividades. É sério: quase tudo fica melhor quando analisado e pensado sob essas lentes. Em conteúdo, mais especificamente, a adaptação da fórmula jornalística do 5W+1H de maneira mais estratégica costuma render resultados melhores do que se ater apenas ao tópico do curso ou material em questão.

Mas como podemos fazer isso? A aplicação pode ser simples e fácil. Antes de desenvolver qualquer conteúdo, antes de colocar qualquer palavra no papel ou no computador, procure responder da melhor forma possível as 7 questões a seguir.

 

1 — Assunto – O Que Falar? (What)

Qual o assunto do curso? Sobre o que você irá falar? Aqui as respostas podem ser tão simples quanto “Liderança”, “Vendas” — ou mesmo o título provisório do seu material: “Cultura Corporativa”.

 

2 — Objetivo – Por Que Falar? (Why)

Com o assunto do material definido, o próximo passo é definir porque esse material será produzido. Essa é uma das perguntas que muitas empresas e produtores de conteúdo sentem que “sabem”, mas costumam negligenciar — e quando essa pergunta é mal respondida, o impacto é claro na relevância do material. Quer um exemplo. Vamos supor que seu assunto seja “Vendas”. Se o seu porquê é “fazer com que estudantes de marketing compreendam os princípios envolvidos nas vendas” ou “fazer com que o departamento de vendas melhore o número de negócios fechados”, você pode imaginar que o foco de cada um dos conteúdos é bem diferente — e isso deve ser refletido no seu desenvolvimento.

 

3 — Público – Com Quem Falar? (Who)

Definição do público-alvo do material é parte fundamental do processo, especialmente se o objetivo final é Ensino à Distância. Definir o público oferece clareza em questões como a linguagem a ser adotada, o conhecimento prévio que o público trás em relação ao tema ou mesmo se o objetivo do conteúdo está alinhado com o que o público gostaria de receber nesse tipo de material. Esse nível de detalhamento pode ser simples (funcionários de um determinado cargo ou departamento da empresa X) ou detalhado (criação de personas que identifiquem os perfis do público-alvo desejado).

 

4 — Linguagem – Como Falar? (How)

O ditado está certo: “O importante não é o que se fala, mas como se fala” — a linguagem escolhida tem o poder de aproximar ou afastar o público do seu conteúdo. Determinados públicos se sentem atraídos por um texto leve e bem humorado — outros poderiam achar isso simplório, e desconsiderá-lo independente da qualidade em relação a um conteúdo mais sóbrio e sério. Não existe uma linguagem universal adequada para todos os públicos — sua adequação terá sempre que ser pensada em relação aos demais fatores estabelecidos (público, assunto, profundidade etc.).

 

5 — Profundidade – Quanto Falar? (How Much)

Praticamente todos os assuntos são bem elásticos quando a questão é profundidade, então é bom estabelecer alguns critérios que ajudem a delimitar a profundidade com a qual o assunto será tratado. Por exemplo:

  • Duração: conteúdo para 30 minutos ou 3 horas?
  • Requisitos: O que o público já conhece sobre o assunto? O que o público irá conhecer sobre o assunto em outro momento? O conteúdo será dividido em níveis e/ou módulos?

Nesse ponto é possível também classificar seu conteúdo também como: introdutório, básico, intermediário ou avançado em relação ao assunto em questão.

 

6 — Ordem – Quando Falar? (When)

Pretendo tratar sobre “Mapeamento de Conteúdo” e estruturação de ementas para a produção de conteúdo em um artigo futuro, mas por hora, na fase de planejamento do conteúdo vale ter uma ideia sobre o encadeamento de tópicos: qual a sequência mais efetiva para apresentação do conteúdo? Em alguns casos, é interessante também pensar em uma abordagem efetiva para para apresentação, por exemplo: começamos com uma situação problema, apresentamos cenários possíveis e depois explicamos os conceitos por trás de cada cenário — ao invés de, por exemplo, seguir a lógica mais tradicional de “explanação de conceitos”, “apresentação de problemas”, “verificação de retenção de conceitos”. Tudo isso já pode ser pensado durante a fase de planejamento do conteúdo.

 

7 — Meio/Formato/Ferramenta – Onde Falar? (Where)

Pensar onde o seu conteúdo será aplicado também é um cuidado especial que agrega muito ao resultado final — o discurso que será feito varia bastante se o resultado será um ebook em PDF (com uma determinada quantidade de recursos disponíveis) ou um material multimídia que pode contar com recursos de áudio, vídeo, animação etc. Na fase de Design Instrucional, muitas dessas lacunas podem ser preenchidas e adaptações serem feitas — mas o resultado final pode ser ainda melhor se isso já começar a ser pensado durante o planejamento e desenvolvimento do conteúdo, para que arestas e lacunas sejam menores.

Cuidados com questões como essas fazem com que todo recorte e escopo do conteúdo fiquem mais claros — e facilitam o esforço necessário na produção de conteúdo. Com clareza nessas questões, é possível melhorar a pesquisa necessária para construção do conteúdo e estimar mais adequadamente o prazo e esforço necessário para sua produção — além de oferecer ferramentas mais claras para edição do conteúdo final em etapas futuras.

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