Como Montar uma Ementa para Produção de Conteúdo?

Para começar a produzir conteúdo, seja ele um ebook, um curso online ou uma apostila impressa, é importante saber antecipadamente o que se irá produzir. O primeiro passo para isso, é a produção da ementa (ou índice) — um mapa geral do que será produzido e em que sequência. Essa ementa não é um guia imutável e, muitas vezes, se altera ao longo do desenvolvimento — mas serve de base para pesquisa de referências, desenvolvimento  e até orçamento do trabalho e criação de cronogramas de produção.

 

Antes de Qualquer Coisa: Estabeleça o Objetivo Geral do Conteúdo.

Ponto básico, mas que vale a pena sempre repetir: não dá para saber o que fazer corretamente, se você não sabe qual o objetivo geral — e muitas pessoas confundem “objetivo” com tópico. Por exemplo: “Quero fazer um curso sobre liderança” e acham que isso é suficiente. Um objetivo mais apropriado seria identificar o que esse conteúdo de liderança pretende resolver: Preparar jovens talentos? Resolver um problema de falta de iniciativa na equipe? Outros? Sem esse objetivo muito claro, é fácil desperdiçar tempo de pesquisa e desenvolvimento tratando sobre assuntos irrelevantes  para o resultado final.

 

Planeje Conteúdo Como Quem Planeja uma Viagem.

Uma boa metáfora para a produção de uma boa ementa, é que planejar uma boa ementa não é muito diferente de planejar um roteiro para uma viagem que você deseja muito fazer.

 

A. Onde Você Está? (Requisitos)

É difícil planejar uma viagem se você não sabe de onde está partindo — o mesmo é válido para conteúdos de qualquer espécie. Preparar um curso sobre prevenção de uma determinada doença será diferente se pensado para um público médico, ou para um público leigo. Existem conceitos prévios que seu público precisa dominar para entender seu conteúdo? Eles deverão ser tratados no material? Eles serão considerados como “dominados” pelo público — considere todos esses cenários na hora do planejamento da ementa.

Atividade: Cite pelo menos três requisitos necessários para que seu conteúdo seja compreendido — eles podem estar relacionados a formação do público-alvo, ao domínio de determinado assunto, ou mesmo acesso a determinado equipamento ou tecnologia.

 

B. Para Onde Você Vai? (Objetivo Específico).

Se o nosso conteúdo é sobre liderança, por exemplo, e nosso objetivo geral é preparar novos talentos, nossos objetivos mais específicos poderiam ser:

  • Relacionados ao Material: Demonstrar o nosso conceito de liderança; falar sobre a figura do líder, mostrar exemplos desejados de liderança etc.;
  • Relacionados à Aprendizagem: o que se espera que as pessoas sejam capazes de fazer após ter contato com o material, e que não eram capazes antes.

Pensar em objetivos de aprendizagem é sempre mais interessante do que pensar em objetivos do material — quem pensa assim tende a criar um conteúdo mais interessante do que a simples explanação e apresentação de conceitos.

Atividade: Complete a frase “Ao final desse conteúdo, esperamos que você seja capaz de…” e identifique pelo menos uma ação/atividade que o seu público deve ser capaz de fazer agora e que não era capaz antes. Tenha em mente que “Conhecer”, “Aprender”, “Saber” são verbos que indicam que seus objetivos não foram corretamente formulados. Após finalizar qualquer conteúdo, o objetivo não pode ser “Ao final desse conteúdo, esperamos que você seja capaz de conhecer os tópicos básicos de Marketing”, por exemplo. Isso é requisito para entrar em contato com o material, não objetivo. Objetivo seria algo como “… Esperamos que você seja capaz de descrever o mix de marketing de um produto”.

 

C. O que precisa levar com você? (Tópicos Básicos).

Quais os tópicos essenciais do seu material? Independente do tópico, o que é impossível deixar de fora do material? Por exemplo: Se seu conteúdo é “Introdução ao Marketing”, é possível não tratar de assuntos como “Os 4Ps de Marketing”?. Se você não é o especialista no assunto, e atuará apenas como redator do conteúdo (como acontece com muitos Redatores contratados ou Designers Instrucionais), uma das formas mais simples de identificar esses conhecimentos básicos é por meio de uma pesquisa prévia de outras ementas em conteúdos semelhantes. Se você olhar o índice de três ou quatro livros sobre marketing, você irá identificar conceitos que se repetem e que provavelmente são básicos para o tema. Durante a fase de pesquisa e desenvolvimento será possível validar esse “chute” e descartá-lo ou não se for o caso.

Atividade: identifique três áreas centrais (como módulos, por exemplo) que seu conteúdo irá tratar em determinado assunto. Se tiver dificuldade em definir essas áreas centrais, pense na ideia de “começo-meio-fim” — o que deve vir primeiro? O que deve estar no meio do conteúdo? Como você pretende finalizar? Utilize essas grandes áreas depois para estabelecer “sub-tópicos”.

 

D. Onde você irá visitar? (Tópicos que serão Apresentados).

Quais conceitos você pretende apresentar em seu conteúdo? Que ideias você quer que seu público “visite”? Normalmente esses tópicos não estão relacionados exclusivamente ao tema, mas dependem dos objetivos específicos que você desenhou para o conteúdo.

Atividade: detalhe as grandes áreas vistas na atividade anterior — se você está pensando em cursos online, pense em “telas”. Se você está pensando em ebooks, pense em “capítulos”. Se está pensando em vídeo, pense em “cenas” — a ideia é pensar nas menores unidades de divisão do seu conteúdo.

 

E. O que você vai trazer com você? (Avaliação).

A avaliação nesse caso não precisa ser formal — um teste ao final de um curso online, por exemplo — mas uma ferramenta que permita ao público avaliar seu domínio sobre o que foi visto, ou que ofereça alguma forma prática de aplicar o que foi visto. Muitos livros possuem formulários ao longo do conteúdo para que os leitores aprofundem o que foi visto, outros cursos online oferecem testes e simulações. Fora de uma ambiente de Educação Corporativa (que tem preocupações formais com retenção e desempenho) os métodos de avaliação podem ser informais e focados em auto-avaliação.

Atividade: Pense em uma situação/atividade que coloque as informações vistas em prática — por mais que o seu conteúdo não tenha possibilidade de interação (um ebook, por exemplo) a ideia é oferecer um cenário no qual o próprio interlocutor possa avaliar se as informações vistas no conteúdo podem ser traduzidas em atividades práticas: uma maneira específica de realizar determinada atividade, um passo a passo, o domínio de uma determinada técnica ou ferramenta etc.

 

F. Que lembranças ficarão para sempre? (Transformação).

Pensar na transformação que seu conteúdo pode trazer é um bom framework para o desenvolvimento da ementa — ajuda a decidir o que deve ou não entrar, o que vai ou não ser detalhado e dá muitas indicações de como o conteúdo pode ser abordado. É importante lembrar que o processo de Comunicação e Ensino-Aprendizagem, não é uma via de mão única: a transformação vai depender do quanto o seu interlocutor estiver disposto a trilhar esse caminho com você — mas isso não impede, e jamais deveria evitar, que você comece o seu trabalho com as melhores intenções possíveis.

 

Agora que tratamos da parte conceitual envolvida no planejamento da ementa, em nosso próximo artigo vamos falar sobre as ferramentas que podem lhe auxiliar na montagem e desenho da ementa, de um maneira visual e prática.

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